Os preços dos contratos futuros de minério de ferro ampliaram as perdas nesta segunda-feira, atingindo mínimas de mais de dois meses devido a sinais de fraco consumo de aço na China, principal mercado consumidor de minério, e à valorização do dólar norte-americano.

O contrato de setembro, o mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China, encerrou o dia com uma queda de 3,11%, cotado a 795,5 iuanes (109,55 dólares) por tonelada, o nível mais baixo desde 9 de abril.

Na Bolsa de Cingapura, o minério de ferro de referência para julho caiu 2,33%, para 102,55 dólares por tonelada, também o menor valor desde 8 de abril.

Analistas da Everbright Futures informaram que altas temperaturas e fortes chuvas em várias regiões resultaram na suspensão temporária das atividades em alguns canteiros de obras, mantendo a demanda por aço fraca e pressionando os preços do minério de ferro para baixo.

"Os otimistas em relação ao minério de ferro têm mantido esperanças obstinadas, porém vãs, de que medidas de apoio ao setor imobiliário em dificuldades da China possam desencadear uma recuperação na atividade de construção", disse Atilla Widnell, diretor administrativo da Navigate Commodities.

"Infelizmente, todas as métricas indicam uma forte contração na atividade do setor para 2024. Além disso, as iminentes liquidações de incorporadoras imobiliárias domésticas e ordens de encerramento apresentam obstáculos significativos ao consumo de aço na construção", acrescentou Widnell.

Um dólar norte-americano mais firme pesou sobre as commodities em geral, incluindo minério de ferro e aço, pois torna as commodities denominadas em dólar menos atraentes para detentores de outras moedas, explicaram os analistas.

“Não acreditamos que haverá muito espaço para uma queda maior no preço do vergalhão, já que ele tem estado bem próximo do custo de produção com base no custo de energia do vale e não há grande resistência nos fundamentos”, disse Cheng Peng, analista da Sinosteel Futures, sediada em Pequim.