A decisão de não pagar dividendos extraordinários pela Petrobras (PETR3; PETR4) partiu diretamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o governo está direcionando a empresa para utilizar os fundos que seriam destinados aos acionistas para investimentos, conforme informaram duas fontes governamentais à Reuters nesta sexta-feira.

Segundo uma das fontes, o conselho de administração tomou a decisão durante uma reunião nesta semana, que contou com a presença do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

As fontes revelaram à Reuters que o governo está unido na opinião de que é crucial canalizar recursos para investimentos de longo prazo.

"Não se trata de prejudicar os acionistas. A ideia é adiar o pagamento a curto prazo para obter um retorno mais substancial no futuro", disse uma das fontes, que preferiu permanecer anônima devido à sensibilidade do assunto.

Após a notícia da Reuters, as ações da Petrobras, que vinham se recuperando desde as baixas iniciais, voltaram a cair abruptamente. As ações preferenciais (PN) caíram 10,25%, para 36,25 reais, enquanto as ordinárias (ON) despencaram 10,16%, para 37,07 reais, antes dos ajustes finais.

"A administração anterior adotou uma política de priorizar os dividendos em detrimento dos investimentos, como preparação para uma possível privatização", acrescentou a fonte, fazendo referência aos planos do governo de Jair Bolsonaro de privatizar a Petrobras.