Nesta quarta-feira (27), importantes setores da indústria brasileira receberão o presidente da França, Emmanuel Macron, em uma visita oficial ao país. Macron terá encontros tanto com a direção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) quanto com o alto comando da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no segundo dia de sua estadia.

Os representantes industriais esperam que Macron esteja disposto a avançar nas discussões para a conclusão do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que atualmente está estagnado. No final de janeiro, Macron declarou que as negociações sobre o acordo estavam "encerradas", argumentando que a proposta era "antiquada" e "mal remendada".

As negociações para o acordo entre os dois blocos começaram no final dos anos 1990 e tiveram uma etapa inicial concluída em 2019, ainda durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde então, pouco progresso foi feito na revisão dos termos pelos países envolvidos.

A oposição de Macron ao acordo com o Mercosul, principalmente por motivos políticos internos, é conhecida. O tratado é recebido com ceticismo na França devido às preocupações com possíveis impactos negativos no setor agrícola do país.

Apesar das objeções do presidente francês, o acordo será defendido durante uma reunião reservada pelo presidente da CNI, Ricardo Alban, e pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Também devem participar das discussões os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), bem como o presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva.

"A implementação do acordo Mercosul-UE é fundamental para diversificar as exportações e expandir a rede de parceiros comerciais nos países dos dois blocos. Além disso, ajudará a agregar valor às cadeias de produção, estimulando o crescimento econômico e a criação de empregos em ambas as regiões", afirma Alban, da CNI.

O acordo entre Mercosul e União Europeia representaria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo um mercado consumidor de quase 720 milhões de pessoas e cerca de 20% da economia global. Em 2022, a UE foi o segundo maior parceiro comercial do Brasil, com um comércio bilateral superior a US$ 95 bilhões.

Atualmente, a França é o 15º maior parceiro comercial do Brasil, representando 1,45% do mercado e sendo o quinto maior investidor direto no país. Nos últimos cinco anos, as exportações para a França cresceram 11% e as importações, 12%. No entanto, a presença brasileira no mercado francês ainda é limitada, representando apenas 0,5% do total.